quarta-feira, 27 de maio de 2020

Por que não tia??

Afinal, qual o problema de ser chamada de tia? “É tão fofinho!!”, “eu acho uma graça meu filho falando tia” são exemplos de argumentos que podemos ouvir ao fazer esse questionamento!!

Como professora é possível entender o carinho ao ensinar as crianças nos chamarem de tias, tem pais que falam ainda hoje quando conversam conosco, por ser um termo tão antigo na educação.

Paulo Freire no seu livro "Professora sim tia não" já buscava quebrar esse senso comum ao dizer que essa relação de amorosidade é por um lado negativa pois carrega um ar de passividade, de alguém que não confronta, não argumenta, e são essas são ações muito importantes, principalmente na Educação Infantil. 

Tia remete a relação de parentesco, de algo familiar, corriqueiro e com isso acabamos desqualificando o valor profissional da área. Professor é professor, como o médico é médico, etc., e precisam ser valorizados pela sua profissão. 

E vou contar aqui uma coisa para vocês, as crianças pequenas sabem nos chamar de professora, não pensem que falar “tia” facilita para eles, tem um falso julgamento de "é difícil essa palavra" "ele é um bebê", eles conseguem articular e vocês poderão ver que o jeitinho deles falarem “prô” será tão lindo quanto tia!    

Gostou?! Deixe seu like 
Curta nossa página no instagram @tianaoprofessora



👩🏻‍💻🔻



Diretrizes que regem a Educação Infantil

Com a promulgação da Constituição de 88 a creche passa a integrar o sistema de ensino, deixando de ser assistencialista (leia o texto na integra clicando nos links abaixo). 

Assim com o tempo ela aparece e é validada em documentos próprios ao assunto, como a LDB 9394/96, em específico o artigo 29: “A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade”.

 A partir do momento em que a Educação Infantil entrou em pauta foi preciso pensar em mais orientações pertinentes à faixa etária, considerando a especificidade do processo de ensino e aprendizagem.

Foram elaborados outros documentos como o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, os Indicadores de Qualidade, o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) e atualmente a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Mesmo com esse acervo ainda vemos na prática dificuldades em proporcionar uma educação infantil de qualidade.

As pessoas que pensam em normas/diretrizes, muitas vezes não estão na educação e não conhecem a realidade, infelizmente! Precisamos integrar esse espaço de escuta e de fala. Não é por serem bebês ou crianças bem pequenas que seja fácil pensar no que é “bom” para eles.



🟣 Sigam nossa página do Instagram > @tianaoprofessora

👩🏻‍💻🔻

Enfim, professores de creche

Como surgiu a creche?

sábado, 23 de maio de 2020

Como surgiu a creche?

Para entendermos a creche no contexto educacional é importante fazer um breve panorama histórico do seu percurso, só ressaltarei alguns pontos marcantes, para não estender muito nosso post.

No Brasil, as creches surgiram no início do Século XX com um viés capitalista, em decorrência do crescimento urbano, da industrialização e da demanda de mão de obra. Assim ela foi instituída com objetivo de atender as mães trabalhadoras e alguns casos de situações de risco, por exemplo, mães/famílias que não zelavam pelo bem estar dos filhos e poderiam colocá-los em perigo. 


Naquele tempo, conforme Haddad (1991) as creches trabalhavam em situações precárias, com falta de recursos, atendimento inadequado, quadro de funcionários deficitário, sem formação específica ou voluntários e ausência de legislação. 

A década de 50 ressaltou uma abordagem psicológica nas creches, a luz de vários estudos que apontavam para o prejuízo da ausência de relação afetiva mãe e criança, desde pequenininhos, e o que isso poderia impactar no desenvolvimento do bebê futuramente. 

O lado positivo dessas inquietações foi que as creches passaram a dar atenção as questões afetivas, psíquicas e físicas. Rosseti-Ferreira (1988, p.60) coloca que "para evitar um prejuízo para o desenvolvimento da criança, faz-se necessário garantir-lhe na creche um cuidado materno substitutivo adequado". As questões de afetividade que hoje em dia tanto falamos despontaram nesses pensamentos.  

Na década de 60 entra em cena os professores, recreacionistas, psicólogos e pedagogos, é o início na busca de desvincular a creche do puro assistencialismo e uma série de lutas pelo seu reconhecimento enquanto instituição de ensino.

Assim o grande marco e vitória na história da creche foi sua inclusão no sistema escolar legalizado pela Constituição de 88: "O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de atendimento em creche e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade." (Constituição Brasileira, 1988, cap.III, art.208, inciso IV). 

A partir desse ponto a creche deixa de ser assistencialista e passa a ser responsabilidade da educação, que a incluirá nas discussões pertinentes sobre ensino. Mesmo com a LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) ainda precisamos buscar reconhecimento para esse setor, pois muito se pensa sobre educação e pouco se faz para as creches e educação infantil. 

E assim começa um novo caminho para a creche no panorama educacional!! Nessa história as questões se tornam difíceis e interessantes, que veremos nos próximos posts. 
Referências Bibliográficas

BRASIL, Leis, Decretos, etc. Constituição da República do Brasil. São Paulo: IMESP, 1988.

HADDAD, L. A creche e os estudos em desenvolvimento: análise dos contatos precoces entre pares. São Paulo, 1990. Tese (Doutorado). Pontifícia Universidade Católica. 

ROSSETI-FERREIRA, M.C. A pesquisa na universidade e a educação da criança pequena. Cadernos de Pesquisa. São Paulo, v.67, p.59-63, 1988.

💬🔻
👩🏻‍💻 Enfim, professores de creche
👩🏻‍🏫 O começo de uma história

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Enfim, professores de creche

Sabe aquelas perguntinhas "quem são? onde habitam? o que comem?", então, é possível fazer esse trocadilho sobre os professores de creche... Onde eles estão, afinal?! 

Ainda hoje muitos se escondem, é como se ao falar que trabalha com crianças de zero a três anos brotasse uma vergonha... eu entendo um pouco desse sentimento, porque o "lugar ao sol" da creche na educação é recente, estávamos locados na pasta da assistência social, em que o objetivo era simplesmente um lugar para mães trabalhadoras deixarem seus filhos. Essa ruptura ainda reflete nos dias atuais e vivemos numa sociedade que está presa no passado, naquela creche assistencialista.

Vou contar uma novidade para algumas pessoas... Nãããooo somos assistencialistas mais!!! Nosso trabalho tem intencionalidade pedagógica, fruto de muito estudo!!
                                                                                                           
E por falar em estudo, esse é meu objetivo nesse post em um dia muito propício... Dia do Pedagogo!

Quem são esses profissionais que trabalham com bebês e crianças tão pequenas? os professores de educação infantil, que atende desde a creche até o fundamental I, começaram no antigo magistério, quando eu fui atrás para me inscrever tinha acabado, e vários profissionais que têm essa formação falam muito bem de alguns pontos dela, e o principal é a graduação em Pedagogia, não são leigos que atuam na área. Nós estudamos muito, sempre em busca de se aperfeiçoar, claro que como em toda profissão tem os que se acomodam e os que se desafiam, se atualizam. 

Minha formação como um exemplo, é em Letras, Pedagogia, com pós em Psicopedagogia institucional e diversos cursos de aperfeiçoamento, e estou na creche, como várias colegas no mesmo nível de estudo. 

Esse é início do caminho para quebrar os esteriótipos da sociedade, de que a tia está ali só pra cuidar do bebê. Entendo que a família ache muito bonitinho, carinhoso, chamar a gente de tia, tio... Porém como escreveu Paulo Freire no livro "Professora sim, tia não!" (inspiração para o trocadilho do nosso blog, porque é um livro que me apaixonei desde quando conheci dada a especificidade desse tópico), ele diz que essa relação de amorosidade é por um lado uma negativa no valor do profissional, porque tia não é profissão é um parentesco, e carrega um ar de passividade, de não se colocar, argumentar, enfrentar, ações tão necessárias no nosso dia a dia. Não é brigar com pais, é zelar pelo bem estar da criança no ambiente escolar. Esse assunto poderia render boas conversas, porém não irei me estender muito e deixá-lo cansativo. Voltaremos nele quando necessário. 

E podemos nos perguntar se existe um perfil certo para atuar em creches, e ao meu ver não, desde que exista o interesse por aquela faixa etária, uma dedicação que tem suas especificidades, e o mais importante é pensar a criança em primeiro lugar, o que é bom para ela, o que vou contribuir no seu desenvolvimento, visando a formação integral do indivíduo que começa lááá com seus primeiros passos.

Parabéns a todos os Pedagogos e Pedagogas!                                                                  
                                                                            

Fonte: FREIRE, Paulo, Professor simtia não: Cartas a quem me usar- ed. Olho d´água- São Paulo 1997, 188 paginas. 


💬🔻
👩🏻‍💻 Como surgiram as creches?

👩🏻‍🏫 O começo de uma história

terça-feira, 19 de maio de 2020

Começo de uma história....

Olá, eu sou a Professora Lucélia, e estou aqui em busca de histórias...

Há quinze anos comecei minha jornada na Educação Infantil... cai um pouco de paraquedas durante um estágio, pois cursava Letras, como primeira formação, e crianças tão pequenas não era o foco no momento, pensava lecionar para os maiores... E  me vi numa oportunidade e necessidade de auxiliar em sala de educação infantil, uma escola muito conceituada aqui na minha cidade, São Bernardo do Campo, que me ensinou muitoo!! Tenho uma gratidão pelos anos que passei ali, cresci como pessoa e como profissional, conheci excelentes professoras que me ensinaram e me inspiraram para sempre!!


E uma vez trabalhando com os pequenos, garrei uma paixão, que não poderia mais viver sem esse contato, as inúmeras possibilidades de trabalho...é um eterno "sair da casinha". Assim, terminei a faculdade de Letras e ingressei em seguida na Pedagogia, que só consolidou a paixão que havia sido despertada. Eu busquei atrelar as duas formações, trabalhar em ambos segmentos, e atualmente eu também leciono Língua Portuguesa em escola pública para ensino fundamental II e médio.

Em 2008 ingressei como auxiliar de educação na prefeitura de são bernardo e o cargo era na creche... Inegável que foi um misto de alegria, pois era um cargo público, uma "estabilidade", com um certo: Meu Deus! Creche! Bebês! Será que é isso mesmo que eu quero?! E assim comecei, conheci profissionais que também me ensinaram, que me incentivaram e me despertaram o olhar para essa faixa etária. 

No ano de 2010 ingressei como professora na mesma rede, tive possibilidade de escolher outros municípios, porém optei por ficar em são bernardo, novamente o cargo era destinado para a creche, e la fui eu... agora com um certo protagonismo, faço um parênteses o quanto valorizo os auxiliares num ambiente de educação infantil e precisam desse reconhecimento. E desde então estou na creche e aprendo muito a cada dia, e tenho algumas inquietações tão pertinentes à área me fizeram criar o blog.

Eu falei muito, mas era preciso pontuar quem eu sou para chegar ao objetivo desse blog!!

Venho convidar vocês: professores de creche, auxiliares em educação, gestão, pais, sociedade, quem se interessa pelo assunto, em compartilharmos as nossas angústias, os nossos sonhos, os nossos desejos para essa etapa da educação que é ainda muito marginalizada... A gente precisa se unir e ampliar espaços de conversa, de troca, sobre a creche, porque é muito pouco o que tem quando buscamos algo que fale com a nossa especificidade... Mas isso é assunto pra outro post!!

Vamos vestir a camisa e mostrar quão longe podemos chegar atuando na Creche!

💬🔻
👩🏻‍🏫 Enfim, professores de creche