No Brasil, as creches surgiram no início do Século XX com um viés capitalista, em decorrência do crescimento urbano, da industrialização e da demanda de mão de obra. Assim ela foi instituída com objetivo de atender as mães trabalhadoras e alguns casos de situações de risco, por exemplo, mães/famílias que não zelavam pelo bem estar dos filhos e poderiam colocá-los em perigo.
Naquele tempo, conforme Haddad (1991) as creches trabalhavam em situações precárias, com falta de recursos, atendimento inadequado, quadro de funcionários deficitário, sem formação específica ou voluntários e ausência de legislação.
A década de 50 ressaltou uma abordagem psicológica nas creches, a luz de vários estudos que apontavam para o prejuízo da ausência de relação afetiva mãe e criança, desde pequenininhos, e o que isso poderia impactar no desenvolvimento do bebê futuramente.
O lado positivo dessas inquietações foi que as creches passaram a dar atenção as questões afetivas, psíquicas e físicas. Rosseti-Ferreira (1988, p.60) coloca que "para evitar um prejuízo para o desenvolvimento da criança, faz-se necessário garantir-lhe na creche um cuidado materno substitutivo adequado". As questões de afetividade que hoje em dia tanto falamos despontaram nesses pensamentos.
Na década de 60 entra em cena os professores, recreacionistas, psicólogos e pedagogos, é o início na busca de desvincular a creche do puro assistencialismo e uma série de lutas pelo seu reconhecimento enquanto instituição de ensino.
Assim o grande marco e vitória na história da creche foi sua inclusão no sistema escolar legalizado pela Constituição de 88: "O dever do Estado com a Educação será efetivado mediante a garantia de atendimento em creche e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade." (Constituição Brasileira, 1988, cap.III, art.208, inciso IV).
A partir desse ponto a creche deixa de ser assistencialista e passa a ser responsabilidade da educação, que a incluirá nas discussões pertinentes sobre ensino. Mesmo com a LDB 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) ainda precisamos buscar reconhecimento para esse setor, pois muito se pensa sobre educação e pouco se faz para as creches e educação infantil.
E assim começa um novo caminho para a creche no panorama educacional!! Nessa história as questões se tornam difíceis e interessantes, que veremos nos próximos posts.
Referências Bibliográficas
BRASIL, Leis, Decretos, etc. Constituição da República do Brasil. São Paulo: IMESP, 1988.
HADDAD, L. A creche e os estudos em desenvolvimento: análise dos contatos precoces entre pares. São Paulo, 1990. Tese (Doutorado). Pontifícia Universidade Católica.
ROSSETI-FERREIRA, M.C. A pesquisa na universidade e a educação da criança pequena. Cadernos de Pesquisa. São Paulo, v.67, p.59-63, 1988.

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